Identificação de atividade deteriorante e do gene apr na microbiota isolada de leite cru em Caxias, MA
DOI:
https://doi.org/10.14295/2238-6416.v74i4.707Palavras-chave:
proteolítico, lipolítico, sacarolítico, psicrotrófico.Resumo
Dentre as bactérias contaminantes, as psicrotróficas destacam-se como as principais responsáveis pela deterioração do leite, pois são capazes de se multiplicar em temperaturas de refrigeração. O gene apr carreia a informação para a produção da metaloprotease alcalina, uma enzima termoresistente capaz de degradar as proteínas do leite. Objetivou-se investigar, por meio de métodos biomoleculares, a presença do gene apr e o potencial deteriorante de bactérias proteolíticas isoladas do leite cru em uma microrregião do Maranhão. Foram selecionadas 112 amostras de leite cru, coletadas de fevereiro a junho de 2018 em propriedades leiteiras das microrregiões de São João do Sóter e Caxias, MA. As análises microbiológicas foram realizadas no Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Caxias, e os ensaios biomoleculares no Laboratório de Inspeção de Produtos de Origem Animal (LIPOA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Foram realizados testes para classificação de proteólise, lipólise e potencial acidificante em temperatura ótima (36 °C/2 dias) e atividade psicrotrófica (7 °C/10 dias). Foram achados 10 (9%) isolados positivos para o gene apr, todos pertencentes ao gênero Pseudomonas, corroborando com outras pesquisas no estado que apontam para o grande potencial deteriorante das bactérias encontradas na localidade. Desta forma, assim como em outras regiões do Brasil, o leite cru refrigerado produzido no estado do Maranhão precisa ser obtido de forma higiênica evitando contaminação com microrganismos deteriorantes que possam comprometer a integridade e a qualidade do leite fluido e derivados destinados ao comércio.
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