Queijo Macururé fabricado em Jacaré dos Homens, AL: características físico-químicas, microbiológicas e de produção
DOI:
https://doi.org/10.14295/2238-6416.v75i2.818Palavras-chave:
queijo artesanal, leite cru, gastronomia alagoana, patrimônio imaterial.Resumo
O queijo Macururé é produzido há cerca de 100 anos por uma única família, no povoado Caititu, localizado na cidade de Jacaré dos Homens, AL. É fabricado a partir de leite cru, por fermentação natural por meio de bactérias autóctones. Possui formato cilíndrico, textura macia, massa fechada, contendo gordura líquida no seu interior, sabor levemente ácido, lembrando manteiga de garrafa, coloração marrom, casca rígida e sem trincas, e massa cozida. Muito apreciado por seu sabor único e pela riqueza cultural e gastronômica, tal produto possui tecnologia de fabricação empírica e artesanal. Visando impedir a extinção da tecnologia de fabricação deste queijo de origem centenária, este trabalho objetivou descrever, de forma técnica e científica, suas etapas de fabricação e caracterizar os aspectos físico-químicos e microbiológicos desse queijo. Foram analisados teores de gordura no extrato seco (GES), acidez, pH, cinzas, umidade e teor de proteína total. Assim, o queijo Macururé pode ser classificado como semigordo e de média umidade, segundo legislação vigente. Os teores de acidez, extrato seco total e gordura variaram significativamente entre os lotes analisados, indicando falta de padronização na fabricação ou da matéria-prima utilizada. As análises microbiológicas demonstraram ausência de Salmonella sp. e contagem de coliformes termotolerantes e Staphylococcus aureus dentro dos padrões estabelecidos pela legislação. Este estudo contribuiu para o processo de caracterização de um queijo tipicamente alagoano, com atributos que agregam valor por meio do resgate da história e origem cultural e gastronômica, sendo possível, com o regulamento do “Selo Arte”, sua comercialização fora da clandestinidade.
Referências
AQUINO, A. A. Requeijão do Sertão fabricado na microrregião de Guanambi, Bahia: Características físico-químicas, microbiológicas e de produção. Orientador: Antônio Fernandes de Carvalho. 2011. 183 f. Tese (Doutorado em Ciência dos Alimentos) – Departamento de Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2011.
BENNETT, R. W.; HAIT, J. M. Staphylococcal enterotoxins: Micro-slide double diffusion and ELISA-based methods. In: FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (ed.). Bacteriological Analytical Manual. Silver Spring: FDA, 2011. cap 13A.
BERESFORD, T. P. et al. Recent advances in cheese microbiology. International Dairy Journal, v. 11, n. 4-7, p. 259-274, 2001. DOI: 10.1016/S0958-6946(01)00056-5
BLODGETT, R. Appendix 2 – Most probable number from serial dilutions. In: FOOD AND DRUG ADMINISTRATION (ed.). Bacteriological Analytical Manual. Silver Spring: FDA, 2010.
BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Instrução Normativa nº 30, de 26 de junho de 2000. Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Manteiga da Terra ou Manteiga de Garrafa, Queijo de Coalho e Queijo de Manteiga. Diário Oficial da República Federativa do Brasil: seção 1, Brasília, DF, n. 136, p. 13, 16 jul. 2001.
BRASIL. Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária. Portaria nº 146, de 7 de março de 1996. Aprova os Regulamentos Técnicos de Identidade e Qualidade dos Produtos Lácteos. Diário Oficial da República Federativa do Brasil: seção 1, Brasília, DF, n. 48, p. 3977, 11 mar. 1996.
CAVALCANTE, A. B. D.; COSTA, J. M.C. Padronização da tecnologia de fabricação do queijo manteiga. Revista Ciência Agronômica, v. 36, n. 2, p. 215-220, 2005.
DOWNES, F. P.; ITO, K. (ed.). Compendium of methods for the microbiological examination of foods. 4th ed. Washington: AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION – APHA, 2001.
FERREIRA, D. F. SISVAR: A computer statistical analysis system. Ciência e Agrotecnologia, v. 35, n. 6, p. 1039-1042, 2011. DOI: 10.1590/S1413-70542011000600001.
HORWITZ, W. (ed.). Official methods of analysis of AOAC International. 17th ed. Gaithersburg: AOAC International, 2000.
JASSEN-ESCUDERO, C.; RODRIGUEZ-AMÁYA, D. B. Composition of the Brazilian cheese requeijão do norte. Journal of Food Science, v. 46, n. 3, p. 917-919. 1981. DOI: /10.1111/j.1365-2621.1981.tb15380.x
NASSU, R. T. et al. Diagnóstico das condições de processamento e caracterização físico-química de queijos regionais e Manteiga no Rio Grande do Norte. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, n. 11. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2003. 24 p.
OLIVEIRA, C. S. Queijos Artificiais. Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, v. 39, n. 235, p. 49-51. 1984.
PINTO, F. G. S. et al. Qualidade microbiológica de queijo Minas frescal comercializado no município de Santa Helena, PR, Brasil. Arquivos do Instituto de Biologia, v.78, n.2, p. 191-198, 2011.
SANTOS, J. S. et al. Diagnóstico das condições de processamento de produtos artesanais derivados do leite no estado de Sergipe. Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, v. 63, n. 363, p. 17-25. 2008.
SEIXAS, V. N. C. et al. Caracterização do queijo do Marajó tipo manteiga produzido em duas estações do ano. Revista Ciência Rural, v. 45, n. 4, p. 730-736, 2014. DOI: 10.1590/0103-8478cr20140463
ZAFFARI, C. B.; JOZI, F. M. COSTA, M. Qualidade bacteriológica de queijos artesanais comercializados em estradas do litoral norte do Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Ciência Rural, v. 37, n. 3, p. 862-867, 2007. DOI: 10.1590/S0103-84782007000300040
ZENEBON, O.; PASCUET, N. S.; TIGLEA, P. (coord.). Métodos físico-químicos para análise de alimentos. 4. ed., 1. ed. digital. São Paulo: Instituto Adolfo Lutz, 2008.1020 p.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Termo de Concordância e Cessão de Direitos de Reprodução Gráfica.
Os autores do artigo intitulado "INSERIR TÍTULO" declaram ter lido e aprovado o manuscrito na sua totalidade e concordam em submetê-lo à Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (Revista do ILCT) para avaliação e possível publicação como resultados verdadeiros, autênticos e originais. Esta declaração implica que o manuscrito, independente do idioma, não foi submetido a outros periódicos ou revistas com a mesma finalidade. Os autores reconhecem que não há dados fraudulentos, nem plágio no artigo submetido e que serão obrigados a fornecer retratações ou correções de erros referentes ao artigo, se necessário. Os autores têm conhecimento da política editorial e diretrizes da Revista do ILCT e cedem os direitos autorais a Revista do ILCT com o direito exclusivo de imprimir, publicar e vender o artigo em todo o mundo, em todos os idiomas e mídias. Por isso, está vedado aos autores reproduzir total ou parcialmente o trabalho submetido, em qualquer outra parte ou meio de divulgação, impresso ou eletrônico. Sendo assim, o(s) autor(es) declara(m) que aceita(m) ceder o direito de reprodução gráfica para a Revista do ILCT no caso do artigo com o título descrito acima (ou título que posteriormente chegar a ser adotado, para atender às sugestões de editores e revisores) venha ser publicado na Revista do ILCT. Em adição (necessário se existir mais que um autor), concordam em nomear ____________ como sendo o autor a quem toda correspondência deverá ser enviada. Esta é a lista de autores, na ordem em que constará na versão publicada: ______________
Esse termo deverá ser assinado por todos os autores (observar a ordem de assinaturas dos autores, que será a mesma que constará na versão publicada) constando:
data;
nome dos autores sem abreviação;
CPF e titulação/cargo de cada autor;
e-mail de cada autor; e
informação da área em que o artigo se enquadra.
No caso da impossibilidade de conseguir este documento assinado presencialmente por todos, alternativamente cada autor imprime, assina e digitaliza (pode ser foto) separadamente um Termo de Concordância e Cessão de Direitos de Reprodução Gráfica com o mesmo teor, contendo ao final do termo a lista de autores na ordem em que será publicado, caso o artigo seja aceito. Assim, o coautor confirmará sua anuência com a publicação, a cessão de direitos de reprodução, bem como a sua colocação na lista de autoria do artigo. O(a) autor(a) correspondente é o(a) responsável por enviar em um só e-mail todos os termos assinados. Reforço a necessidade de não enviar documentos com assinaturas copiadas e coladas, isso torna o documento inválido.